segunda-feira, 15 de julho de 2019

Voo

No voo eu sigo em frente
No ar aquele céu azul
No chão a frieza frequente
É o coração imerso, parado
Como o avião estacionado
Aguardando o abastecimento
Sem combustível, na expectativa
Somente na ânsia do desapego
O sol surge para aquecer
A alma sonolenta, cansada
O vento frio e artificial circunda
Entre as paredes, o ar rarefeito
Os corpos se encontram
Por meio daquele olhar devastador
O prelúdio de uma enganação
O embarque é anunciado
Em voz solene, o som é artificial
O coração bombeia as mentiras
De uma vida eterna no chão
Estou triste e as certezas se vão
As conversas chegam em cada ato
A lucidez se troca com a confusão
Que me domina e comanda tudo
Ninguém auxilia nesse percurso
O poço é escuro e fundo
Mas eu não toquei o chão
Estou apenas em frangalhos
E o avião se desmanchou no ar

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