Noite de domingo é quase sempre a mesma coisa. É um momento estranho esse silêncio em excesso, onde as vidas - essas pluralidades exacerbadas - deveriam estar paradas. Mas sou eu que estou na areia movediça... Ábdito sem a líbido da existência. É tudo muito sepulcral, estilo darkroom da ironia tipificada. Se vai, eu não estou aí, se vai, não vou me iludir. Se vai, no quadrado maior da cidade, a cerveja não é ingerida com maciez. Sem calor, a cevada não desce com destreza. Meu corpo frio anuncia a armagura em seguir semoto, em pensamentos insalubres, diante de dissabores de práticas infantis. Não adianta fingir distância e se assegurar em bloqueios indolores, pois "ideias verdes incolores dormem furiosamente". Não adianta demarcar o indefinido. A história nunca será maquiada, diante do ontem, do hoje e do "pra sempre". Mesmo que este dia passe e, na lógica, amanhã seja segunda, o dia continuará assim sem rumo e "no alto da tua sombra, a prumo sobre a inconstância irreal de vida e dias, achei-me só e vi que as agonias da vida, o tédio as finda e a morte as cobre" [Fernando Pessoa].
Há 14 anos
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