Semana passa me deparei com um excelente texto de Moacyr Scliar, intitulado "os usos de casimira inglesa". O Autor cria uma tese em volta de um tecido chamado Casimira Inglesa, e ao redor deste objeto desenvolve um argumento pontuando vários aspectos: financeiro, qualidade, durabilidade e saúde, fundamentando-se em fatos históricos, bem como externalizando suas observações corriqueiras do cotidiano familiar. Mas, qual a intenção de toda essa argumentação? Em um primeiro momento, podemos entender que a finalidade era convencer a esposa sobre o erro que estaria cometendo ao desejar “dar ao pai um corte de casimira inglesa”. Analisando o texto em tela mais profundamente, pode-se inferir que toda essa argumentação e polêmica em volta da casimira servem, na verdade, como pano de fundo para justificar de forma sólida e convincente uma possível separação. Todavia, caminhando para uma terceira interpretação, conforme disse uma amiga, o texto soa como uma espécie de “gota d`água”. Quando diz: “quanto tempo ainda terei de esperar?” (...) Ele pergunta sobre a morte do sogro, que tem coisas preciosas guardadas, como se perguntasse até quando vai ter que viver sob o jugo não só do casamento, mas da família e da tradição. O pobre estava cansado da vida que levava, afinal trinta e cinco anos de casamento não são três anos. Ele estava cansado de ser contrariado, a indignação é notória. Por fim, o texto reflete a atual conjuntura social. Muitas vezes o orgulho fala mais alto. Os pares vivem de forma contínua querendo provar quem é que manda, e quem é que pode mais em um relacionamento. O resultado disso tudo é a partida, como prova da indignação e do erro cometido por longos anos.
Há 14 anos