Desde criancinha, sempre ouvia alguém "entendido" proferir a seguinte máxima: "mais do que uma época de crises, enfrentamos hoje uma crise de época, na qual a educação tem papel fundamental a desempenhar".
Mas, às vezes sou levando a compreendê-la apenas como instrumento de efeito de uma retórica exemplar, pois na prática os cafajestes do poder me ensinaram a denega-la como o bandido que nega a autoria de um crime. O mal generalizou... Banalizou-se o mal!
Aí eu te questiono: em que sentido o conceito de banalidade do mal, cunhado por Hannah Arendt, se relaciona com o vazio do pensamento burocrático [típico] dos tempos atuais?
As ações humanas estão automatizadas. O sujeito cumpre ordens por pura e simples movimentação habitual, se acostumou a fazer sem raciocinar, sem perceber as dores humanas e sem ouvir os gritos silenciados. É o típico burocrata desenhado por Arendt em sua obra "Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal", o livro do século XX e do século XXI.
Em sua análise sobre um evento específico pós segunda guerra mundial, Hannah Arendt aferiu que um dos vilões da política nazista analisado não estava acometido de nenhuma doença mental e disfunção de caráter. Muito pelo contrário, Eichmann agia em conformidade com aquilo que acreditava ser o seu dever. Ele apenas era "eficiente" no seu ofício, na sua função e no compromisso com a execução das ordens superiores que recebia.
A contra gosto de seus admiradores, que desejavam acusar Eichmann de antissemita, Arendt concluiu que o cara não era antissemita, era apenas um burocrata. Ironicamente, para a estudiosa alemã, um burocrata era muito mais repugnante do que o antissemitismo.
Para Arendt, o burocrata era movido pelo anseio carnívoro de crescer profissionalmente e para isso, cumpria ordens sem questionar um pingo do "i", de modo orgânico percebia processos, máquinas, resultados, nunca enxergava pessoas. No fundo não raciocinava, não conseguia refletir sobre o mal que as suas ações poderiam causar nas pessoas, ele não via pessoas, só queria agradar o seu superior: Adolf Hitler, os outros são os outros.
Em consonância com uma discussão iniciada no twitter, quatos burocratas você conhece em sua vida? Cuidado!