terça-feira, 21 de abril de 2020

Cancelado

Eu reconheço e confesso que em alguns momentos fui extremamente injusto ao me referir a alguns segmentos de modo seletivo e pejorativo, tipo "as feministas de vitrine de luxo" para denotar a incoerência entre a teoria e a prática desse movimento. E quem sou eu pra isso né?!  Faltou bom senso de minha parte. Eu pratiquei um desserviço ao dar coro ao eco enviesado de raciocínio limitado e contrário, que peca pelo excesso de expectativa que se impõe a dado espectro ideológico. Mas a partir disso eu conclui que, por exemplo, a minha incoerência diária ou esporádica não anula o meu caráter humanista e a minha vontade por justiça social e demais anseios tipicamente progressistas. Não podemos ser cancelados por sermos humanos, logo, imperfeitos. A luta deve continuar sempre, sobretudo, fundado nesse processo constante de desconstrução e ruptura. Para não ficar em um único exemplo, o machismo existe e está enraizado em nossa alma. Em alguns seres de modo mais lantente e em outros de maneira mais velada. Isso é fato. E o indivíduo não vai conseguir extrair toda essa áurea maligna, advinda da educação que recebeu ao longo dos anos, apenas com leituras e análises críticas sobre temas teóricos atinentes ao feminismo e as relações típicas do patriarcado. Entendo que, em consonância a isso, é necessário a convivência massiva com mulheres empoderadas para perceber [da melhor forma] o machismo que nos acompanha e que persiste de modo sistêmico e estrutural em nosso meio. É preciso aprender na prática e no dia a dia, por meio do exercício da autoconsciência.

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