Quando dois copos se encontram, frente a frente, em um piso plano como numa mesa de bar, à beira do rio cheio e com aroma de feira do garimpeiro, é sinal de coisa boa feito carne seca com farinha lá do quarto de bode. Dois copos cheios, agrupados no estilo face to face, ilustra muito mais do que a estética possa demonstrar. Simbolicamente temos arranjos de significados que perpassam o simples momento. São histórias vividas, vivenciadas e vivenciantes que transbordam e exalam experiências típicas e não tão costumeiras ao olhar de quem ouve. Entre uma golada e outra, a peste boa da cevada penetra firme e forte em um mix clássico com o angu de sangue e provoca a malemolência necessária à condição humana: uma combinação aglutinada de risos, empatias, simpatias e muita animação e besterol em forma de teorias consagradas, passando pela experiência etnográfica de James Clifford a constatação de que "jamais fomos modernos", sob a ótica ontológica de Bruno Latour, verbalizadas na espontaneidade da situação. O diálogo segue sem a obrigatoriedade formal do uso correto das palavras. Não há roteiro, muito menos compromisso com a dramaturgia de atuação. A atuação é livre, leve e solta. Mesmo assim, não deixa de ser performática, com o compromisso cruel de manter a fachada, em justo alinhamento com a representação do eu na vida cotidiana, em conformidade com o palco, o cenário e a plateia.
terça-feira, 5 de julho de 2022
sábado, 25 de junho de 2022
Parâmetros
Os outsiders autodeclarados são metidos a vivências cosmopolitas. Fazem questão de deixar demarcado as identidades forasteiras e definir a linha tênue entre o comum e o excepcional. Preferem este último para evidenciar características peculiares entre estilos, gostos e práticas, sobretudo de consumo. Curtem espaços ditos alternativos com rotina de frequentadores limitados e exclusivos, que definam claramente o tipo de público a que pertencem. Se o rolê populariza-se, torna-se banal e pouco atraente. Sinal de que outros circuitos devem ser aprimorados, para manter o sumo da nata preservado entre eles, os mesmo de sempre exalando aroma de elitismo vergonhoso no meio do pitiú, para ilustrar a áurea amena, próxima aos anseios das massas, para inglês ver. Mas, paradoxalmente, resvalam no clássico provincianismo. Acariciam os típicos alfas de estimação e tentam molestar os ômegas incautos, fervorosos alvos dos julgamentos desvairados, como se fizessem questão de separar o jôio do trigo, a partir de parâmetros desiguais de mensuração daquilo que é ou não é passível de exaltação. E tudo se resume a um perspectivismo relativo, oportunista de ocasião, por pura conveniência frívola, a depender do nível das relações: se próximas, fecha-se os olhos, se distantes, regala-os, como se estivesse olhando a cena com o auxílio de uma lupa profissional, de precisão cirúrgica. Enquanto isso, a prática subversiva do julgador de esquina encontra-se guardada, muito bem trancafiada no beco obscuro da calada da noite, evidenciando sua conduta eivada de hipocrisia, com a carcaça cosmopolita e a alma provinciana... Realmente, a noite é mais escura pouco antes do amanhecer.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Obscurantismo
sábado, 30 de maio de 2020
Opressão
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Revolução
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Burocrata
Em consonância com uma discussão iniciada no twitter, quatos burocratas você conhece em sua vida? Cuidado!