terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Solidariedade

Dialogando com amigos, ao argumentar sobre os problemas que afetam a sociedade brasileira, utilizei de dispositivos sociológicos produzidos pelos próprios pesquisadores brasileiros. Sem ainda saber o motivo, acabei citando o saudoso sociólogo Herbert José de Souza, popularmente chamado de Betinho. Mais do que um cientista, Betinho era um ser humano convicto. Quem me conhece sabe o quanto eu desacredito nos homens, mas diante da história desse indivíduo supracitado, sou obrigado a recuar em meu ceticismo, e reconhecer o humano que há na vida de Herbert José. Ora, ser HUMANO é possível, todavia não é para qualquer um não, é apenas para os privilegiados. A minha peneira é muito cruel e exigente, poucos escapam em minha análise. Mas, eu entendo que a culpa não é do sujeito-humano em si, pois trata-se de toda uma conjuntura social mais ampla, na qual envolve diferentes fatores e variáveis complexas. Observe que vivemos em uma sociedade dita complexa, que à luz de Émile Durkheim, é norteada pela solidariedade orgânica, isto é, por laços de companheirismo, digamos assim, entre sujeitos particulares, que devido a divisão social do trabalho, necessitam da existência um do outro para sobreviver de modo coeso. Nesse sentido, o humano passa a ter consciência da importância ambiciosa do vizinho. Predomina, assim, o egoísmo exacerbado, e uma pseudo-solidariedade mercantil, típica do mundo globalizado em contradição, formulador do homem de pensamento pequeno burguês, e do esfomeado que roga pelo pão nosso-de-cada-dia, “(...) que sonha com a volta do irmão do Henfil... Com tanta gente que partiu num rabo de foguete chora a nossa Pátria mãe gentil... Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil (...)” (João Bosco).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Voltando

Que eu tô voltando pra casa... Outra vez!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Contradito

Hoje eu penso bem diferente daquela ideia que um dia cheguei a brigar bravamente, não por ser imaturo e inocente, coisa que era muito... Penso que era mais por orgulho. Arrogância é uma iguaria que pode custar muito caro ao indivíduo que se acha seguro de si. Sendo assim, o seu valor pode variar de pessoa para pessoa. Orgulho e preconceito são duas entidades perigosas e difíceis de desconstruir e se desvincular plenamente. É uma tentativa que venho tentando há algum tempo. Às vezes penso não progredir nesse processo em busca de me tornar um ser humano melhor. Falhamos muito, porém os acertos devem prevalecer em um mundo que preza pelos apontamentos dos defeitos alheios. Isso é coerção severa e deve ser conscientizada por aqueles que praticam, de modo que sabiamente sejam evitadas. Saia às ruas e observe o seu círculo, olhe até onde a sua visão te permitir, e verá que o mundo que vive é freqüentando por sujeitos iguais a você, a rua que você segue é o mesmo logradouro seguido por outros igualmente vaidosos. Bom, posso até chegar a perdoar determinada vaidade típica, desde que ela não seja capaz de ferir a minha.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Esponsal

Estou com um desejo imenso de fazer algo que até pouco tempo não chegava nem perto de minhas pretensões, nem a curto e nem a longo prazo... Talvez a longo prazo sim, mas a curto prazo nunca! A nossa vida é surpreendente mesmo... Logo, logo estarei em uma condição esponsal... E o resultado disso já deve imaginar, não é? Vou avançar de fase... Tudo certo! Agora devemos pensar na estrutura sólida, que seja capaz de suportar essa relação colossal. Vamos pensar nos detalhes... Trabalhar e economizar bastante para edificar nosso lar.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Outsider

O indivíduo é educado, em vários segmentos da sociedade, de modo a criar considerações, em grande medida, falseadas acerca da figura do outro. São levados a conceber ideias imaturas e imprecisas de seu objeto, sem ter consciência de que tal idealização é dotado de um preconceito voraz, que dilacera a personalidade de um ser que se pretende complexo por construção histórica. Esse processo, en passant, é perceptível em meu círculo social. Empiricamente, afirmo que a categoria de análise dominada pelo prejulgamento precoce norteia o epicentro do espírito humano, impetrado no [in]consciente coletivo. Observa-se que, se o “eu” se depara diante do “outro”, e se o primeiro não se assemelha com a alteridade perante de si, o “outro” é o estranho. Nesse sentido, o estranho é estereotipado, estigmatizado, conforme lição de Goffman. O grande problema nisso tudo é que o outsider não tem chance de se apresentar, pois para isso necessita de certo tempo, porém a leitura feita pela platéia é imediata, fixista e, às vezes equivocada. Outrossim, tenha em mente o papel social do professor universitário na área de sociologia/metodologia. Essa representação, per si, já é passível de estereótipos. Entendo que a leitura que desenvolvem a respeito, por enquanto, não condiz com a profundidade da verdade que possa existir. Vi todas as manifestações a meu respeito, e nenhuma me refletiu.

sábado, 19 de março de 2011

Oportunismo

Será que ainda hoje existe isso de “direita”, “esquerda”, “de centro”? Alguns ainda falam de uma tal de “terceira via”... Sei não... Penso que isso ficou no passado. Hoje percebe-se uma lógica de interesse que não combina com a defesa partidário-ideológica. O oportunismo parece falar mais alto. O sujeito não tem mais zelo pela advocacia de um ideário político, em vez disso, prefere lutar em prol de sua conta bancária... É o chamado homem camaleão, muda de cor conforme o meio [político se transforma]. Haja estômago de ruminante brother!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Agora desconheço a razão de ser deste blog... Hoje estou curado.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pseudo-idealista

Quem é você?
- Um sujeitinho neoliberal do lavrado!
O que tu quer?
-Poder!
Como fará isso?
-Por meio da prostituição do pensamento
Como é isso?
-Agir por conveniência, ser oportunista... Sem princípios, filosofia e ideologia. O discurso se adequa a situação.

Consideraçoes:

Esse é mais um tipinho, sem credibilidade nenhuma para criticar o que quer que seja. Não tem nenhuma vergonha em falar o que é. Utiliza-se de bandeiras idealistas falseadas. Desconfio de seus méritos (assim como o mesmo deve desconfiar dos meus poucos). Tem uma conduta vergonhosa, e vem querer bancar de bom moço. Quem é você pra dizer que alguma coisa deve melhorar? Você deve melhorar primeiro. Você faz parte desse país, não se iluda. É protagonista do pior que possa existir aqui brother! Seus pequenos atos são típicos de um corrupto infantil. Mude primeiro, para depois pensar em criticar essa terra.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Casimira

Semana passa me deparei com um excelente texto de Moacyr Scliar, intitulado "os usos de casimira inglesa". O Autor cria uma tese em volta de um tecido chamado Casimira Inglesa, e ao redor deste objeto desenvolve um argumento pontuando vários aspectos: financeiro, qualidade, durabilidade e saúde, fundamentando-se em fatos históricos, bem como externalizando suas observações corriqueiras do cotidiano familiar. Mas, qual a intenção de toda essa argumentação? Em um primeiro momento, podemos entender que a finalidade era convencer a esposa sobre o erro que estaria cometendo ao desejar “dar ao pai um corte de casimira inglesa”. Analisando o texto em tela mais profundamente, pode-se inferir que toda essa argumentação e polêmica em volta da casimira servem, na verdade, como pano de fundo para justificar de forma sólida e convincente uma possível separação. Todavia, caminhando para uma terceira interpretação, conforme disse uma amiga, o texto soa como uma espécie de “gota d`água”. Quando diz: “quanto tempo ainda terei de esperar?” (...) Ele pergunta sobre a morte do sogro, que tem coisas preciosas guardadas, como se perguntasse até quando vai ter que viver sob o jugo não só do casamento, mas da família e da tradição. O pobre estava cansado da vida que levava, afinal trinta e cinco anos de casamento não são três anos. Ele estava cansado de ser contrariado, a indignação é notória. Por fim, o texto reflete a atual conjuntura social. Muitas vezes o orgulho fala mais alto. Os pares vivem de forma contínua querendo provar quem é que manda, e quem é que pode mais em um relacionamento. O resultado disso tudo é a partida, como prova da indignação e do erro cometido por longos anos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Segredo

Início de noite, ele chega e cumprimenta a todos em um tom de voz meio tímido e desnutrido. Mas antes ao estacionar a motocicleta vermelha da irmã mais velha, que pegou emprestada sem o consentimento, tropeça na calçada. O sangue escorre ao longo do dedão do pé direito. Se doeu? Nem um pouco se comparado com a consternação que estava por chegar. Passou pela mãe dela, avistou de longe a irmã e todos os outros... Logo desviou o foco para a aleivosia de seus pensamentos. Foi atraído para a mentira de maneira diferente do clássico episódio de sansão e Dalila, mas a revolta foi exagerada, com direito a famosa e monumental destruição do templo. Rebeldia abstrata, ninguém sentiu, ninguém viu. Absolutamente nada foi percebido, salvo pelo protagonista da ação sofrida. Observa-se que há uma afirmação meio que perigosa. Às vezes achamos que ninguém sabe de nada... Que tudo está sendo realizado no maior mistério do mundo. É nesse ponto que costuma-se enganar a si mesmo. Você pode ser alvo de uma observação minuciosa e discreta. Alguém deve mirar em você e a vítima nem se toca, por simples distração. E morre jurando acerca do monopólio de determinado segredo ou ação praticada. Nem imagina que no outro lado do rio outros seres sabem de seu pecado. O fato é que sabemos dos segredos insanos dos outros que eles nem imaginam. Se acham espertos, e continuam se escondendo ou se protegendo por uma capa do bom selvagem.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Banalidade










"Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais crianças pedindo esmolas, adultos famintos, famílias morando embaixo de pontes e adolescentes morrendo drogados nas calçadas"

Comentário de Lya Luft, extraído do texto "Baleias não me emocionam", disponível na Veja Online.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Devaneio

No claro do dia ela saiu, saiu e eu cheguei, cheguei sem avisar, saiu sem bater. Sem dizer o nome, sem desejar bom dia, fugiu sem a intenção de deixar rastro algum. Instintivamente fui levado a seguir as pistas de um mistério indesejado. O crime já havia ocorrido, desde o momento da primeira troca de olhar. Aqueles olhos camaleão, uma hora verde, outra hora azul, ou tom de mel, tanto faz. O segredo não está no colorido do globo ocular, o arcano é exatamente o conjunto da obra, isto é, o ritual - desde o primeiro passo dado, passando pela ligação perpetuada da visão, até os passos de fuga. Eu tentei correr até a esquina do quarteirão desconhecido, mas a tentativa foi em vão. Meu pensamento foi veloz, diferentemente da ação que não existiu. Foi um querer agir sem ter agido para a ação intencionada. Previsivelmente nunca mais cheguei perto daquele aroma ainda não identificado. Em um ato de quase desespero me desesperei. Não queria aceitar, me conformar com aquele final era um absurdo. Drama ao extremo somente é aceitável na ficção, ou nas músicas de Chico Buarque: “quando olhaste bem nos olhos meus. E o teu olhar era de adeus, juro não acreditei. Eu te estranhei me debrucei, sobre o teu corpo e duvidei. E me arrastei de te arranhei (...)”. Mas, quando acordei, até que tentei retornar ao sonho, infelizmente nunca mais foi possível ficar diante de tal aparente perfeição.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Acreditar

Dialogando, surgiu a afirmação de que acreditar em algo, alguém ou alguma coisa é extremamente importante para a existência do homem enquanto indivíduo vulnerável as mazelas físicas e absortas da humanidade. Surgiu a ideia - básica e primária de ensino, mas com ricos fundamentos - que parte de um princípio consensual: o homem deve se abraçar ao mundo. O sujeito sozinho no espaço não é nada, o sozinho não constitui senso de existência. Por isso que é defendido aqui a manutenção das relações e das crenças. Devemos acreditar, pois se me mantenho descrente acerca de tudo vou me viuvizar. Dependendo da situação, esta atitude não será benéfica. Quando falo em “acreditar”, não me refiro especificamente em crença religiosa, Deus, e seres superiores e sobrenaturais. Refiro-me a abraçar algo, alguém ou alguma coisa no sentido contemplativo. Acreditar nas pessoas, apesar de tudo. Acreditar em um mundo melhor, apesar de tudo. Crer na política, apesar de tudo. Crer em tudo aquilo que for necessário para o fomento e manutenção da autoestima e espiritualidade humana. Não importa o que ou em quem você confia, o importante é saber respeitar as distintas manifestações. Ocorre que essa não é uma tarefa simples, pois os confrontos são enormes e intensos, típicos de uma estação favorável a mixagem cultural, onde a busca por se descobrir enquanto sujeito está cada vez mais difícil. Diferentemente do Rappa, nunca precisei ser crente pra descobrir que o meu cristo é diferente. Mas, precisei ter muito força e personalidade para romper com certos padrões, fiz isso timidamente. Marx já professava desde meados do século XIX um célebre frase em alemão: “Die Religion (...) Sie ist das Opium des Volkes”, isto é, “a religião é o ópio do povo”. Refletindo e interpretando tal citação, entendo que a droga é uma invenção do homem em sociedade, que devido carências diversas, acaba buscando outros meios para manter um certo grau sabedoria e auto-afirmação. Da mesma forma é a religião, o ópio do povo, igualmente construída pelo homem em intensa interatividade, como forma de sanar ou manter certos anseios. A diferença é que esta última é lícita e institucionalizada em muitos países, a outra é legal em algumas poucas localidades. O interessante neste momento é saber ter consciência de que as duas categorias supramencionadas são de extrema necessidade para aqueles que as utilizam. Ocorre que eu sou careta, e não uso drogas, mas respeito quem usa. Apenas oriento que seja utilizada da melhor forma possível, pois entendo tais como controle social, de algum modo são importantes para alguns segmentos da sociedade.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Empáfia

“Linda só você me fascina, te desejo muito além do prazer”! Faço uso deste trecho de música da Banda Roupa Nova, pois entendo ser uma ótima frase declarativa, bem clara e direta! Bom, ser direito não é tão fácil para algumas pessoas. Tenho percebido que a capacidade de se confessar, de se declarar para o outro não é privilegio de muitos. Todavia, percebo também que um fator elementar na manutenção do bem-estar “do relacionar-se” é a percepção do afeto, de carinho, demonstrações públicas de amor, etc. Falar é bom, mas ouvir é ainda melhor. Não adianta querer ser, disfarçar que é, ou se esforçar pra ser. Deve haver reconhecimento por parte do outro, pois é esta consideração alheia, dentre outras, que legitima o sentido do indivíduo. Conforme o dito popular, “o que os olhos não vêem o que o coração não sente”. Constuma-se dizer que nem tudo que é popular é passível de sapiência, porém a frase citada contradiz essa idéia inicial acerca do manifesto. A sensibilidade da frase popular possivelmente em sua forma abstrata se reflete na magnitude da realidade, do cotidiano de cada ser, no campo concreto. Posso não ser sensível a ponto de perceber o real valor dos instintos teus. Não é fácil diferenciar o verossímil do falso em um convívio parcial que carece de maior manifestação afeto-amorosa, se é que existe essa categoria em sua forma bruta. Quando a visão está viciada, é complicado distinguir ou identificar sentidos e valores por meio de tímidos signos lingüísticos, ou passageiras trocas de olhares no escuro de um ambiente adstrito e com prazo de validade próximo ao inválido. Há uma dicotomia, talvez uma proximidade física e certo esforço em se manter lado a lado, mas a barreira que tanto ignoramos insiste em permanecer presente, mesmo que em momentos momentâneos, tempo suficiente para ser sentido e percebido.