segunda-feira, 1 de julho de 2019

Falecer

Eu te quis sem te querer
Eu tive você sem me conter
Eu me contive sem ter
E fugi e me escondi
Sem temer tive medo
Sem falar, eu gritei
No silêncio da noite
A angustia me dominou
A solidão se espalhou
No quarto escuro, o breu
A vontade de voltar e de continuar
Em uma postagem me enganei
A vontade de voltar e continuar
Em uma mensagem mal escrita
Apaguei, me ludibriei, adormeci
Sonhos eternos em uma mente
Cheia de águas turvas da chuva
A noite inteira de barulhos mentais
A desistência predominante
Uma vida rasante, sem ousadia
O coração calejante, pulsou
Memórias fajutas, covardia
O meu nome é covardia
A minha tristeza é ventania
Sopra forte, é intensa e frágil
O sopro é a vida de um momento
Que esvai-se como a saudade
Sentimento intolerante, fixidez
Sem delicadeza, se faz rígida
Sem brilho, sem glória, sem giz
Apenas lembranças em desenhos
Excluídos em vida para não falecer

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