Esse
povo extrovertido, em suma brancos e empoderados, forma o batalhão de outsiders
da vibe progressista, dos delírios da curtição exacerbada, que curte a
contemporaneidade ao som da vitrola, que tem o dom do ecletismo fugaz, que
passeia pela transitoriedade fixa dos gêneros e das mariolas, que enaltece o
Deus Apolo, mas denega o saber comum. Essa gente que critica o modismo ao mesmo
tempo em que venera o diletantismo excludente. Essa gente que ensaia a
narrativa da alteridade em atos que renegam a diferença. Essa gente que no campo
inteligível defende a empatia e a democratização do acesso em contraposição a
exclusividade, mas que no campo sensível adora o privilégio do uso, do acesso e
do atendimento... Que adora um rolê retrô e cult, desde que não seja frequentado
por todos e todas, pois é preciso manter a áurea da vanguarda repleta de
caricaturas, de frequentadores padrão classe média com roupagem revolt, paz e
amor, que vende uma vida independente e autossuficiente, proveniente do esforço
próprio, do trabalho clichê do fluxo dos deslocados e das populações “exóticas”.
Estes que se encontram em pleno lavrado, com as vidas paradas, em nome de um
ideal maior, isto é, a longa jornada responsável por rechear o currículo de uma
vida profissional em formação, por meio de uma experiência única, em um verdadeiro
laboratório a céu aberto. Com o coração pulsante diante do trabalho árduo em
prol das minorias, mas com a cabeça na Capital do Rock e na Terra da Garoa. Ora,
não é fácil tirar onda de militante especialista no meio do caos: o vazio de
uma vida distante.
Edit.: Somos todos
incoerentes!
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