quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Paradoxo


Esse povo extrovertido, em suma brancos e empoderados, forma o batalhão de outsiders da vibe progressista, dos delírios da curtição exacerbada, que curte a contemporaneidade ao som da vitrola, que tem o dom do ecletismo fugaz, que passeia pela transitoriedade fixa dos gêneros e das mariolas, que enaltece o Deus Apolo, mas denega o saber comum. Essa gente que critica o modismo ao mesmo tempo em que venera o diletantismo excludente. Essa gente que ensaia a narrativa da alteridade em atos que renegam a diferença. Essa gente que no campo inteligível defende a empatia e a democratização do acesso em contraposição a exclusividade, mas que no campo sensível adora o privilégio do uso, do acesso e do atendimento... Que adora um rolê retrô e cult, desde que não seja frequentado por todos e todas, pois é preciso manter a áurea da vanguarda repleta de caricaturas, de frequentadores padrão classe média com roupagem revolt, paz e amor, que vende uma vida independente e autossuficiente, proveniente do esforço próprio, do trabalho clichê do fluxo dos deslocados e das populações “exóticas”. Estes que se encontram em pleno lavrado, com as vidas paradas, em nome de um ideal maior, isto é, a longa jornada responsável por rechear o currículo de uma vida profissional em formação, por meio de uma experiência única, em um verdadeiro laboratório a céu aberto. Com o coração pulsante diante do trabalho árduo em prol das minorias, mas com a cabeça na Capital do Rock e na Terra da Garoa. Ora, não é fácil tirar onda de militante especialista no meio do caos: o vazio de uma vida distante.

Edit.: Somos todos incoerentes!


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