sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Momentos

Momentos como esses são difíceis de ocorrer, mas não se trata de um evento impossível. Demora a incidir, porém sobrevém e quando surge é capaz de dilacerar a instabilidade física e psicológica do sujeito, pois afeta a base, mexe com a estrutura de sustentação do espírito do ser. Buscar uma explicação ou justificativa torna-se uma ação secundária diante da imensidão contextual da interação incipiente. Quando paramos para refletir sobre os acontecimentos presentes, ignoramos o passado e desviamos o foco, partindo-se para as confabulações futuras, na ânsia de desenhar os passos que alce o topo da última etapa dessa escalada rumo a iniquidade. Diante disso, não adianta pensar os fatos para regredir, pois eles são abstratos e necessitam amadurecer, como uma semente que ao germinar, se bem cuidada, torna-se uma árvore, com suas folhas verdes e frutíferas. Nessa esfera, almejo as condutas de um jardineiro, visto como o cultivador dos fatos (árvore), pois favorece o crescimento de uma semente que tem tudo para germinar e ser feliz, sem medo de crescer. Diferentemente do lenhador que se comporta como um destruidor da beleza dos fatos (árvore), haja vista que impele o seu crescimento. Nesse contexto, se cada um dos sujeitos envolvidos em uma trama qualquer se portasse como um regador, mais momentos singulares seriam possíveis. O ineditismo da vida depende de cada um, basta se envolver em torno de uma história que possibilite o envaidecimento do eu. É claro que as barreiras persistem, porém, aprendi que os obstáculos existem para serem superados em cada ato, tudo de uma só vez ou à prazo, tanto faz. O importante é o fim - não em si mesmo. Refiro-me a conclusão de um processo que tem início, meio e um fim processual, ou seja, sem um ponto final, que seja dinâmico e lógico em sua plenitude à guisa da dialética marxista. O estático me incomoda, sempre desprezei atitude blasé, estilo “to nem aí! tô nem aí!” 

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