Quando eu olho, mesmo que de modo distante, sentado no conforto do meu olhar julgador basilar, não consigo mais identificar e reconhecer aquele jeito de ser que em tempos pretéritos era quase singular dentro desse contexto enfadonho de imitações corriqueiras de gestos e jeitos disfarçados de autenticidade fajuta. O nome disso é regressão de personalidade limítrofe, essa linha tênue entre o ser e o dever ser, que no campo do direito refere-se a uma lição da normatividade dentro da lógica da teoria geral do Estado. Mas na esfera psicológica, trata-se de uma problemática grega que muito me lembra o complexo de Narciso, tendo como referencial a perspectiva lacaniana. É uma percepção muito trágica de algo que outrora supunha fundado em um ineditismo fugaz, passível de aplausos e admiração. Mas hoje, analisando com esse olhar epistêmico, vejo apenas meras repetições de condutas que impactam tanto o modo de agir como a forma de se vestir, cuja referência mais próxima desse ato inconsequente de usurpação se apresenta de modo muito controverso. Ontologicamente não vejo sentido de ser, nem no campo real, muito menos no aspecto ideal, haja vista que a personagem central de referência dessa comiseração não passa de um ponto imaginário montado sob a ótica delirante de um mosaico sem identidade definida. Ou seja, trata-se de um espantalho sem linha ideológica estabelecida, que se faz e se refaz perante o outro com o uso apelativo e especulativo de uma estética supervalorizada, enquanto produto de troca emocional e afetiva na feira de mulambos rastejantes do circuito alternativo predominante no chiqueiro. Aqui a galinha pintadinha é cortejada pelos galos outsiders das cristas avantajadas que habitam o galinheiro. Nestes termos, é lamentável concluir o arrefecimento de uma conduta que sempre negou as influências mais enfêmeras e hoje se porta como uma tábua rasa que tudo assimila do avatar refletido no espelho de sua própria imagem e semelhança. Destarte, o problema postulado não é o fato de o ser imitador se parecer com o outro referencial, mas sim de ser diferente de si próprio.
Há 14 anos
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