Quantos
João de Deus existem por aí, em plena ação na surdina, que agem na calada da
noite, que se aproveitam da confiança cativa nos cantos obscenos de berços
esplêndidos de Marias e Joanas? Quantas Sabrinas Bittencourts nós teremos que
apaziguar, na gastura de uma imensidão silenciada por uma onda de gerações de
repressores e oprimidos que naturalizam e perpetuam a lógica patriarcal e
machista vigente? Quantas Anas ainda ceifarão à míngua, por serem vítimas de
atos que mutilam a alma e a dignidade exaradas pelas mãos invisíveis que agem
no asilo da escuridão, bem próximo ao amanhecer... Sobre o manto sagrado, algumas
vezes, guiados pela fé em rastros delirantes de cânticos idílicos e batas da
paz, em seus diferentes segmentos e vertentes, agride-se com a mão direita e
remedia-se com a mão esquerda a fleuma que não podemos ver. Ora e fingimos
cegueira, ora e não denuncia-se, ora e damos uma chance ao ente, ora e deixa nas
mãos do senhor, ora... ora! Quem ver cara não enxerga o assédio, não vislumbra
o abuso inocente e a ferida exposta no olhar sublime, subjacente ao sorriso
falso, sem graça e sem vida, que tenta disfarçar o trauma vivenciado em algum momento
da vida, entre desejos e reparações, entre sonhos e pesadelos, entre a morte e a
vida, Severina... “Choram as rosas porque não quero estar aqui [...] e entre
outras coisas, eu choro por ti”, Sabrina Bittencourt.
Há 14 anos
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