terça-feira, 15 de maio de 2012

Máscaras


A terceira via é uma proposta ideológica conservadora “idealizada” pelo ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair, conjuntamente com o sociólogo inglês Antony Ginddens. No campo político significou uma tentativa frustrada de pôr em prática um conjunto de ideias pseudossociais e democráticas, que almejava ultrapassar as barreiras do reducionismo dicotômico da esquerda e da direita. No âmbito do senso comum, é de praxe utilizar o termo “terceira via” para se referir a um caminho alternativo e paralelo as linhas oficiais de conduta humana. Muitos optam por romper o caminho ordinário, tido como monotonia da vida, e se arriscam em mudar o trajeto rumo aos paraísos artificiais.  Nesse processo em busca do eldorado, as máscaras são elaboradas, com isso o perigo surge e o desespero interrompe o sonho da loucura rave. O sujeito adentra os espaços perdidos, atordoado sem saber para onde seguir, enfraquece a terceira via, e as máscaras começam a cair. Nesse sentido, Shakespeare afirma que “em nossas loucas tentativas, renunciamos ao que somos pelo que esperamos ser”, mas ocorre que “aquilo que desejamos ser” deve ser mantido no campo ideal, sendo contemplado enquanto uma tipificação imaginária complementar a vida real, ou seja, contributiva aquilo que somos, e não substitutiva. Assim sendo, qualquer manifestação que queira acusar o sinal verde para uma possível precipitação da conduta em conserva, não passa de mera suposição equivocada, isto é, interpretação errônea e viciada de cosmovisões insipientes.  Essa afirmação faz sentido, haja vista que em nenhum momento houve, dessa parte, esforços híbridos de mudanças de trajetos, muito menos eloquentes e incessantes marchas para oeste, rumo à terra encantada motivada pelo princípio da vida é bela e o paraíso é um comprimido. O lema é: cumprimentar a todos, restringir vínculos e solidificar as estruturas. Não cabe nesta conjuntura rejeitar a interação, afrouxar os laços e liquidificar a base, pois isto ocasiona a queda de personalidade, e consequentemente, o fracasso da proposta de terceira via no sentido vulgar. Se perder em um universo paralelo criado para fomentar a curtição é no mínimo se sujeitar a ira da perdição, e isto é para os fracos e vulneráveis a abordagens desestruturantes. Talvez seja um caminho sem volta, uma espécie de poço sem fim. Neste caso, o autocontrole não existe, é uma farsa propagada por aqueles que no fundo têm consciência de sua derrota. 

Um comentário:

  1. Escrever o projeto não quer não, né? rsrrsrs... Belo texto. Ouvi a voz de um sociólogo.

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