Quando me deparei com aquela imagem que se formava em minha frente, não acreditei na realidade que estava posta na mais nítida configuração do tormento. Esperei e observei rapidamente, em um momento que se prolongou por uma eternidade. A noite programada para o ápice foi o lusco-fusco de uma consternação, pois não conseguia desvincular o quadro revisitado de meus pensamentos sorumbáticos. Confesso que fui inteiramente amaneirado pela afeição que descobri ainda existir dentro do profano. Por mais que tentasse me embair, estava consciente do meu ato intencional de subterfúgio pelo precipício, entre os corredores do labirinto disseminador da sétima arte. Naquele momento me achei perdido, atordoado por algo que definitivamente não me pertencia mais. Na verdade nada nunca me pertenceu, que falcatrua minha. A minha verdade sempre foi uma mentira que insistentemente persistia em um cotidiano sagaz. Nessa perspectiva, só resta se conformar com o fato desvairado, e ter paciência com a vida, até porque, “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não para”.
Há 14 anos
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